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São Paulo, 21 de Abril de 2010


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São Paulo, 21 de Abril de 2010

Escrito por Antonin Artaud

Hoje não é quarta hoje é ontem
Hoje não é quarta hoje é amanhã
Hoje não é quarta hoje é domingo
Hoje não é quarta hoje é amanhã
Hoje não é quarta hoje é semana que vem
Hoje não é quarta hoje é domingo
Hoje não é quarta hoje é anos dois mil
Hoje não é quarta hoje é 11 de setembro de 2008 dia do surgimento da Descompan(h)ia Teatral
Hoje não é quarta hoje é Luiz
Hoje não é quarta hoje é o dia em que a Silvia nasceu
Hoje não é quarta hoje é o mês de fevereiro
Hoje não é quarta hoje é dois mil anos
Hoje não é quarta hoje é a Grécia antiga
Hoje não é quarta hoje é essa semana
Hoje não é quarta hoje é amanhã
Hoje não é quarta hoje é Judson
Hoje não é quarta hoje é Navalha na Carne
Hoje não é quarta hoje é quarta-feira dia 21 de abril de 2010 feriado
Hoje não é quarta hoje sou eu
Hoje não é quarta hoje é o sol
Hoje não é quarta hoje é um ano
Hoje não é quarta hoje é o dia em que nasci
Hoje não é quarta hoje é vida
Hoje não é quarta hoje é o dia em que o Luiz falou com o Judson

Hoje não é quarta hoje é o Leonardo
Hoje não é quarta hoje é 4.000 anos atrás
Hoje não é quarta hoje é hoje é amanhã
Hoje não é quarta hoje é Leonardo
Hoje não é quarta hoje é 21 anos
Hoje não é quarta hoje é uma hora
Hoje não é quarta hoje sempre existiu
Hoje não é quarta hoje nunca existiu
Hoje não é quarta hoje é conversa
Hoje não é quarta hoje é Apolo
Hoje não é quarta hoje é segunda-feira
Hoje não é quarta hoje é invenções cênicas
Hoje não é quarta hoje é fluxos
Hoje não é quarta hoje é abstrato
Hoje não é quarta hoje é Edital
Hoje não é quarta hoje é Jesus
Hoje não é quarta hoje é quarta
Hoje não é quarta hoje é paginas
Hoje não é quarta hoje é o romance da Silvia
Hoje é quarta hoje é preocupações
Hoje é quarta hoje é sempre
Hoje é quarta hoje é Dionísio
Hoje é quarta hoje é loucura
Hoje não é quarta hoje é disfarce
Hoje não é quarta hoje é paulista
Hoje não é quarta hoje é Hans Thies Lehmann
Hoje não é quarta hoje é ainda vai existir

Hoje não é quarta hoje é passado
Hoje não é quarta hoje é o futuro
Hoje não é quarta hoje é Platão
Hoje não é quarta hoje é há de existir
Hoje não é quarta hoje é já passou
Hoje não é quarta hoje é quinta dia que eu estou escrevendo
Hoje não é quarta hoje é quarta dia que eu estou escrevendo
Hoje não é quarta hoje é Silvia
Hoje não é quarta hoje é Herbert Henrique
Hoje não é quarta hoje é Abraão/ Brah
Hoje não é quarta hoje é síntese
Hoje não é quarta hoje é pensamento
Hoje é quarta hoje é construído
Hoje não é quarta hoje é fluxos
Hoje não é quarta hoje é há de existir
Hoje não é quarta hoje é Alejandro Jodorowsky
Hoje não é quarta hoje é ainda há de vir
Hoje não é quarta hoje é devir
Hoje não é quarta hoje é quarta
Hoje não é quarta hoje é texto
Hoje não é quarta hoje é da
Hoje não é quarta hoje é obra
Hoje não é quarta hoje é fluxos
Hoje é quarta hoje é saber
Hoje é quarta hoje é por que hoje sempre existiu
Hoje não é quarta hoje é
Hoje não é quarta hoje é vento

Hoje não é quarta hoje é
Hoje não é quarta hoje não é
Hoje não é quarta hoje é
Hoje não é quarta hoje é Josiane
Hoje não é quarta hoje é Judson
Hoje não é quarta hoje a Descompan(h)ia não existe
Hoje não é quarta hoje é Hoje não é quarta hoje é
Hoje não é quarta hoje é?
Hoje não é quarta hoje é hoje é
Hoje não é quarta hoje que idiotice isso que eu to escrevendo
Hoje não é quarta hoje é cristianismo
Hoje não é quarta hoje é Felix Guattari
Hoje não é quarta hoje é Jacques Derrida
Hoje não é quarta hoje é Michel Foucault
Hoje não é quarta hoje é Gilles Deleuze
Hoje não é quarta hoje é Friedrich Nietzsche
Hoje não é quarta hoje é Friedrich Nietzsche
Hoje não é quarta hoje é Friedrich Nietzsche
Hoje não é quarta hoje é Friedrich Nietzsche
Hoje não é quarta hoje é Friedrich Nietzsche
Hoje não é quarta hoje é Jean-François Lyotard
Hoje não é quarta hoje é Antonin Artaud
Hoje não é quarta hoje é Ingmar Bergman
Hoje é quarta hoje é paradoxo
Hoje é quarta hoje é corpo sem órgãos
Hoje não é quarta hoje é imaginário
Hoje não é quarta hoje é explosão do imaginário

Hoje não é quarta hoje é Virtualidade
Hoje não é quarta hoje é Apolo e Dionísio
Hoje não é quarta hoje é troço
Hoje não é quarta hoje é Luiz Cláudio Cândido
Hoje não é quarta hoje é Herbert Henrique Jesus de Souza
Hoje não é quarta hoje é
Hoje não é quarta hoje é nem existe
É
É
É
É


Escrito por Herbert Henrique Jesus de Souza
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NET PÓS?/Leonardo e H?/Encontro de deuses...


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Poder da forma, deus em sua forma plena, pessoa foi atingida com um corpo, talvez se tivesse outro corpo aguentasse os fluxos e liberação de fluxos. Quem é deus ? Por que deus tem essa liberação ? Qual é o corpo de deus ? Por que a pessoa não tem o corpo de deus ? Por que deus não tem o corpo, o corpo da pessoa ? O que faz essa diferença? Por que ? Por que o corpo humano não consegue liberar e nem aguentar os fluxos ? Como suportar e direcionar, ter controle, fazer criação com fluxos ? Por que as pessoas conseguem se relacionar com a forma humana de Zeus? E como as pessoas vêem Zeus em sua forma humana ?

1=forma humana 2=forma humana = yes !!!

1=forma humana atingindo por#$%$¨%5= Força divina =1 frito

#$%$¨%5 =Força divina encontra #$%$¨%5=Força divina = ???

1= forma humana "corpo sem órgãos" atingido por #$%$¨%5 = Força divina =direcionamento de fluxos modificação Forma com intensidade...
...
"...E então Zeus a pedido de Sêmele apareceu diante da mesma em sua forma divina e a consumiu com o calor de seus trovões..."

Hoje, após nosso encontro, fui embora com o H, fomos conversando e depois paramos em um lugar quando me dei conta e me fiz a pergunta:”nossa, aqui estão duas pessoas discutindo o processo ou dois deuses discutindo a criação da realidade ?”

O H falava do NET de terça que eu não decorei o nome e eu falava da arrumação do espaço para a reunião pedagógica/arrumação da festa

Desabafei com o H que tenho extrema curiosidade de saber o que é tudo isso que estamos fazendo para cada um ? Às vezes, acho penso que a criação de realidade é apena um conceito a ser reconhecido (fico extremamente irritado com isso) pois me parece, às vezes, com o seguinte exemplo :

existe um discurso legitimado e existe um discurso marginal

o discurso legitimado diz que a cor do momento é branca e o discurso marginal diz “não, é preta” e como o discurso legitimado não consegue enxergar o preto, então, continua sendo a cor do momento o branco.

O discurso marginal discute discute discute faz umas formas e tal daí ponto, consegue com que o discurso legitimado enxergue o marginal. Parte-se da idéia que uma vez que enxergue exista, então, agora existe a cor branca e a cor preta

Agora uma vez que as pessoas saibam que existe essas duas cores e que existem outras mais, o discurso legitimado diz “nã nã nã ok que exista, a gente até admite, porém, aqui nessa realidade é assim, só se pode saber que existe a cor branca - mesmo sabendo que exista a preta ok pode até saber mas só pode existir roupa branca – então, o discurso marginal, agora já inclusive existente, não existe de fato pois foi totalmente assimilado, apaziguado pelo discurso legitimado, cria-se uma lei do silêncio, não no âmbito de uma pequena comunidade chamada Jd Etelvina mas em uma realidade toda.
O discurso marginal tem/teve um ato de resistência mas fico irritado quando vejo isso como resistência do mesmo pois me pergunto, então, se isso não é uma espécie de platonismo...
...
Já que, então, criamos um corpo sem órgãos para um dia ficarmos em paz com o corpo capitalista onde tudo acontece, há um milhão de conflitos e mesmo assim está tudo ótimo, não está acontecendo nada, obrigado

Vejo por um outro viés e concordo absolutamente com o H quando ele diz que o interessante é poder passear por todas essas realidades sem ficar preso a nenhuma. Sendo assim, a realidade que potencializa minha vida, eu posso passear sabendo que não vai ser harmônico e que o desvendamento será contínuo e que tudo não passa de uma brincadeira.
Uma vez que exista a realidade marginal e exista a realidade legitimada e cada uma basta por si, cada uma com sua intensidade, então, não haveria mais marginal e legitimada enquanto qualidade e sim como naturezas diferentes com conflitos não de oposição e sim de geração de energia, cada integrante de cada uma dessas realidades podem passear tanto pela realidade 1 ou pela 2 ou até mesmo gerar uma outra ou estar nas três, as possibilidades são infinitas.
Falamos também de uma tribo de índios que tinha uma outra percepção de realidade, acreditavam que ao passar por debaixo de um galho de árvore iriam morrer e quando passavam, de fato morriam. Então já começamos a falar onde a percepção de realidade determina o corpo do individuo e o afeta. Se o índio tivesse uma outra percepção além daquela da tribo será que ele morreria ? Será que se ele tivesse extrema curiosidade e o desejo de vida dele fosse passar por debaixo daquele galho mas, por conta de uma construção de realidade, ele não poderia? Então, se ele soubesse que é uma construção e soubesse que poderia brincar com isso, poderia passar por debaixo do galho sem que morresse.
Será que nosso...
...
...Nosso amigo H pode ser Jesus ? Não Jesus da bíblia mas Jesus enquanto forma, não ficando preso na mesma podendo, assim, passear por todas essas realidades, assimilando o que cada uma delas tem e resignificando ?
O quanto a forma é potente e qual a importância da forma ?
Se antes procurávamos ver as cenas enquanto formas e não como psicologismo, então, agora vemos a realidade enquanto forma sendo modificada a cada instante em necessidade de suprir nossa angústia ?
Por que precisamos da intermediação de uma forma já conhecida e segura, apaziguada entre um ser humano e outro, se nos relacionamos com a coisa e não com o outro ?
Qual é o corpo que precisamos para receber todos esses fluxos e transformarmos em uma obra ? Essa obra , o que seria essa obra: o outro ? eu ?

"...E então Zeus recolheu o coração do deus e o gestou até seu nascimento...destroçado por ordens de Hera,seu coração novamente foi salvo dessa vez colocado em uma poção que foi entregue a Perséfone em forma de uma romã e assim mais uma vez estava o vivo o deus Dioniso no mundo dos mortos se dirigindo a terra e passando pelo Olimpo..."
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Relato de guerra 3 #


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Venho através desse relato dizer sobre a dificuldade de se manter presente e de viajar pelo espaço e tempo.

Estou muito angustiado e cansado após movimentos e movimentos ininterruptos. Estamos em um momento mais brando na guerra, alguns se foram. Venho falar que nesse momento de desconstrução e construção de nossos corpos, após bombardeios e bombardeios de intensidades, estou mergulhando, estou mergulhando dentro de mim pra poder refletir sobre tudo que vivenciei, porém, esse mergulho não é igual aos outros, nele sou transportado para diversos lugares, diversas dimensões, tempos, espaços, realidades diferentes. Quando me refiro a dificuldade de estar presente é essa: preciso gerar energia, não posso abandonar o barco e meus descompanheiros, não posso abandonar a vida já que escolhi o caminho mais difícil porque a morte e o mais fácil.
É difícil ser infinito,onipresente, ser tudo e todos, estar em tudo e estar em todos

Encontrar quem já se foi e quem está, me encontrar em diversos tempos e vivenciar todas essas intensidades ininterruptamente.

E diante disso venho falar que tenho a potência de um deus e sou humano feito de carne osso e bosta mas também de ouro, vidro, terra, ar, fogo, água...

Leonardo Danilo
Quarta feira? 24?/03?/2010?
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Volta aos ensaios práticos!?/ fazer teatro!?


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por Herbert Henrique
escrito em 08/03/2010

Depois de três semanas voltamos para a “sala de ensaio”, NET\ Invenções cênicas. Há tempos que não íamos a Casa dos Meninos dois. A primeira sensação que tive foi de estranhamento, de diferente, depois de tempos em uma caminhada nômade física - o NET\ Leitura e produções de textos, na Biblioteca Cora Coralina, a reunião pedagógica, na casa do Paulo, NET\ Agenciamentos Teóricos, novamente na Cora Coralina, NET\ Cultura e ação cultural, na casa do Paulo, NET\ Imagem Tempo, na casa de Cultura Raul Seixas, NET\ Linguagem cinematográfica, na casa do Paulo, e NET\ Sei lá o que, novamente na Casa do Paulo. Nossa, quantos caminhos, quantos lugares. Nestes lugares passeávamos por outros, passeávamos na fala, passeávamos por nós, passeávamos pelo outro, o outro sou eu, eu sou o mousse, eu sou o Paulo, eu sou a Descompan(h)ia, o mousse sou eu, eu sou a mãe do Paulo, o Luiz é o Paulo, o Leo é o Lyotard, o Lyotard estava ali do lado falando com o Leo, mas o Lyotard não falou isso!? É o Leo que fala na voz do Lyotard. Não, que Lyotard, é o Leo com Deleuze, o Herbert e o Mousse que estão falando. Eu sou a Descompan(h)ia! O Herbert está falando Luiz, o Herbert nem está ali, quem está ali é o Craig, o Herbert está falando Craig e o Herbert não veio, não é o Herbert que está falando, é o Craig - narrado na voz de Jesus Cristo, pois 'só Jesus salva', 'devemos chegar lá', 'lá' é o paraíso, 'Craig é o paraíso' (Herbert\Jesus Cristo\capitalismo fala seguro sobre o paraíso)

A Descompan(h)ia Teatral vai à Casa do Paulo

(Está um dia ensolarado a Descompan(h)ia Teatral sai da Biblioteca Cora Coralina e está indo à casa do Paulo. Chega, toca a campainha, Paulo, o anfitrião, nos recebe).

Paulo o anfitrião: Olá Descompan(h)eiros entrem e fiquem à vontade. Tenho alguns quitutes se quiserem provar.

(Os Descompan(h)ieiros adentram a casa de Paulo, o anfitrião - uma casa bem familiar. Agora aqui eu sou a visita não na Cora Coralina onde eu era pesquisador mas na casa do Paulo onde a gente fez o mousse e eu era a visita quando eu e o Leo íamos embora da casa familiar do Paulo o anfitrião conversando sobre o mousse que era eu).
(Paulo, o anfitrião, e Vanessa, a simpática, preparam o mousse).

Descompan(h)ia: Anfitrião, prepara logo o mousse. Precisamos que o Paulo volte.

(Tomamos o anfitrião e a simpática de maracujá, seria mais gostoso se fosse o Paulo e a Vanessa).

Mas, novamente, estamos na sala de ensaio, o território do teatro. Estávamos fazendo teatro nessa caminhada nômade? A Descompan(h)ia Teatral não se propõe teatro. Estranho, essa era a palavra. Estamos no território do teatro, meu corpo estava diferente, era um outro lugar que eu passava, na verdade era o mesmo lugar que havia passado antes, mas agora o corpo era outro, a percepção era outra, agora me percebi Herbert e não Teatro, minha percepção ia além do teatro. O Luiz propôs que sentássemos em dupla e olhássemos um para o outro. Eu fui com o Brah e dessa vez, diferente de outras vezes que fiz esse exercício, era eu olhando para o Brah e não o teatro, nisso pude olhar de fato para ele, eu Herbert via o Brah e eu Herbert era o Brah, ao mesmo tempo passeava por ele e por mim já que eu sou o Brah. Compartilhei aquele momento com ele, tive uma experiência, um incômodo de não estar seguro nos limites do teatro, mas ao ir para o troço a experiência ficou chapada, não deu conta, fiquei preso, usei uma gaiola no troço, mas a gaiola acabou me aprisionando, tudo aquilo, aquela experiência, morreu na gaiola, da mesma forma que na minha fala sobre Craig morreu em Craig\Jesus Cristo\ Capitalismo\produção, por que Craig e a Gaiola eram os mesmos. O Luiz disse que no meu troço eu estava fazendo simbolismo e de fato estava. Se foi eu que tive a experiência e a percepção tanto em Craig quanto no troço, sendo que Craig é um troço, por que foi o simbolismo que fez meu troço, já está no meu corpo, já está em mim e quando vou para a “sala de ensaio” me coloco na sala de ensaio e fico preso ao teatro e a questão é como eu saio dos limites do Teatro\produção\ persona social\ etc e vou para mim? por que 'quem sou eu'? sou o teatro, sou a gaiola, sou Craig, sou o Brah, sou o mousse e quando faço teatro, eu faço eu e quando faço eu, eu sou tudo.
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Palavras de consolo no instante do luto


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Aos mortos,

Tirando a fase de criança, acho que nunca chorei como atualmente.
Coisa boa aliás, por mais que pareça que não.
Água desabando pra lavar o que tem que limpar. Carne sendo fraca e escorrendo, como se faz necessário.
Sendo vítima do tempo, como sempre. Mas também tentando me relacionar com ele de forma que eu não sofra muito.
Daí que todo esse papo sobre tempo já me enche os olhos novamente.
Penso no que se passou e no que se passa, no corpo que ajudei a matar e nos seus ritos fúnebres. Nas flores, nas cruzes, nos trágicos. Em Beckett, nas pedradas, nas marteladas.
E venho de roupas claras, não por sinal de protesto ou de afronta. Mas porque li num livro da Clarice que uma personagem tinha o sonho de morrer de branco e segurando a mão de uma pessoa amada, e que esse era um dos seus únicos sonhos na vida.
Pois bem, esse corpo que ajudei a matar também se trata do meu próprio corpo. Matamos, acredito, por se tratar de objeto cansado e que precisava desencarnar. Sua carne já estava dolorida demais pelas navalhadas e o pobre coitado não aguentava o tranco da guerra.
E para ser veloz e intenso é preciso vida, e um corpo que aguente.
Se morre e se mata (aqui, ao menos) para gerar vida.
Estou aqui por isso. E por aquele que encontrei com 'E' maiúsculo e que acredito ser, para mim, a mão amada sugerida pela personagem da Clarice.
Se ainda desabo em água é porque meu corpo ainda chora necessitando de uma pequena morte todos os dias. Para celebrar o encontro de vida com vida, de história com história, de mim com o outro, de mim comigo mesmo.
Matar no fogo, com palavras, afogado nas lágrimas, à base das marteladas, como lobos ferozes.
E em memória dos que passaram, dos que estão e dos que virão depois de nós.
Aos meus olhos cheios, e aos que enchem meus olhos.
Amém!


Carlos Alberto Moreno
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I Tentativa de Ressurreição da Descompan(h)ia Teatral: Ressuscitai, Descompan(h)ia Teatral!!!!


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Atendendo ao chamado do deus Dioniso Zagreu, que nos apareceu em sonhos proféticos, conclamamos a todos para participar de seus mistérios e realizar a I Tentativa de ressurreição daquela que morreu e lhe foi retirado os órgãos  

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Luto Fechado pela Morte da Descompan(h)ia Teatral


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Olá, a tod@s!

Infelizmente, no dia 12/01/10, às 17h30, a Descompan(h)ia Teatral veio a falecer. É com enorme pesar que convidamos a todos para o velório e enterro da mesma q ocorrerá nesta sexta-feira, 15/01, a partir das 19h00, na Casa dos meninos II. A presença de vocês, neste último adeus, acalantaria nossos corações e nos ajudaria a ter a força necessária para amenizarmos a dor dilacerante q sentimos neste momento difícil.

P.s: Em virtude de processo acelerado de putrefação e do intenso fedor ocasionado por tal fenômeno o enterro deverá ocorrer no mais tardar às 21h00 do mesmo dia em que o corpo está sendo velado.


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Alguns cartazes e panfletos


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Descompan(h)ia Teatral/Troço#n.1/Navalha na carne


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Algumas imagens de um dos troços.





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