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NET PÓS?/Leonardo e H?/Encontro de deuses...


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Poder da forma, deus em sua forma plena, pessoa foi atingida com um corpo, talvez se tivesse outro corpo aguentasse os fluxos e liberação de fluxos. Quem é deus ? Por que deus tem essa liberação ? Qual é o corpo de deus ? Por que a pessoa não tem o corpo de deus ? Por que deus não tem o corpo, o corpo da pessoa ? O que faz essa diferença? Por que ? Por que o corpo humano não consegue liberar e nem aguentar os fluxos ? Como suportar e direcionar, ter controle, fazer criação com fluxos ? Por que as pessoas conseguem se relacionar com a forma humana de Zeus? E como as pessoas vêem Zeus em sua forma humana ?

1=forma humana 2=forma humana = yes !!!

1=forma humana atingindo por#$%$¨%5= Força divina =1 frito

#$%$¨%5 =Força divina encontra #$%$¨%5=Força divina = ???

1= forma humana "corpo sem órgãos" atingido por #$%$¨%5 = Força divina =direcionamento de fluxos modificação Forma com intensidade...
...
"...E então Zeus a pedido de Sêmele apareceu diante da mesma em sua forma divina e a consumiu com o calor de seus trovões..."

Hoje, após nosso encontro, fui embora com o H, fomos conversando e depois paramos em um lugar quando me dei conta e me fiz a pergunta:”nossa, aqui estão duas pessoas discutindo o processo ou dois deuses discutindo a criação da realidade ?”

O H falava do NET de terça que eu não decorei o nome e eu falava da arrumação do espaço para a reunião pedagógica/arrumação da festa

Desabafei com o H que tenho extrema curiosidade de saber o que é tudo isso que estamos fazendo para cada um ? Às vezes, acho penso que a criação de realidade é apena um conceito a ser reconhecido (fico extremamente irritado com isso) pois me parece, às vezes, com o seguinte exemplo :

existe um discurso legitimado e existe um discurso marginal

o discurso legitimado diz que a cor do momento é branca e o discurso marginal diz “não, é preta” e como o discurso legitimado não consegue enxergar o preto, então, continua sendo a cor do momento o branco.

O discurso marginal discute discute discute faz umas formas e tal daí ponto, consegue com que o discurso legitimado enxergue o marginal. Parte-se da idéia que uma vez que enxergue exista, então, agora existe a cor branca e a cor preta

Agora uma vez que as pessoas saibam que existe essas duas cores e que existem outras mais, o discurso legitimado diz “nã nã nã ok que exista, a gente até admite, porém, aqui nessa realidade é assim, só se pode saber que existe a cor branca - mesmo sabendo que exista a preta ok pode até saber mas só pode existir roupa branca – então, o discurso marginal, agora já inclusive existente, não existe de fato pois foi totalmente assimilado, apaziguado pelo discurso legitimado, cria-se uma lei do silêncio, não no âmbito de uma pequena comunidade chamada Jd Etelvina mas em uma realidade toda.
O discurso marginal tem/teve um ato de resistência mas fico irritado quando vejo isso como resistência do mesmo pois me pergunto, então, se isso não é uma espécie de platonismo...
...
Já que, então, criamos um corpo sem órgãos para um dia ficarmos em paz com o corpo capitalista onde tudo acontece, há um milhão de conflitos e mesmo assim está tudo ótimo, não está acontecendo nada, obrigado

Vejo por um outro viés e concordo absolutamente com o H quando ele diz que o interessante é poder passear por todas essas realidades sem ficar preso a nenhuma. Sendo assim, a realidade que potencializa minha vida, eu posso passear sabendo que não vai ser harmônico e que o desvendamento será contínuo e que tudo não passa de uma brincadeira.
Uma vez que exista a realidade marginal e exista a realidade legitimada e cada uma basta por si, cada uma com sua intensidade, então, não haveria mais marginal e legitimada enquanto qualidade e sim como naturezas diferentes com conflitos não de oposição e sim de geração de energia, cada integrante de cada uma dessas realidades podem passear tanto pela realidade 1 ou pela 2 ou até mesmo gerar uma outra ou estar nas três, as possibilidades são infinitas.
Falamos também de uma tribo de índios que tinha uma outra percepção de realidade, acreditavam que ao passar por debaixo de um galho de árvore iriam morrer e quando passavam, de fato morriam. Então já começamos a falar onde a percepção de realidade determina o corpo do individuo e o afeta. Se o índio tivesse uma outra percepção além daquela da tribo será que ele morreria ? Será que se ele tivesse extrema curiosidade e o desejo de vida dele fosse passar por debaixo daquele galho mas, por conta de uma construção de realidade, ele não poderia? Então, se ele soubesse que é uma construção e soubesse que poderia brincar com isso, poderia passar por debaixo do galho sem que morresse.
Será que nosso...
...
...Nosso amigo H pode ser Jesus ? Não Jesus da bíblia mas Jesus enquanto forma, não ficando preso na mesma podendo, assim, passear por todas essas realidades, assimilando o que cada uma delas tem e resignificando ?
O quanto a forma é potente e qual a importância da forma ?
Se antes procurávamos ver as cenas enquanto formas e não como psicologismo, então, agora vemos a realidade enquanto forma sendo modificada a cada instante em necessidade de suprir nossa angústia ?
Por que precisamos da intermediação de uma forma já conhecida e segura, apaziguada entre um ser humano e outro, se nos relacionamos com a coisa e não com o outro ?
Qual é o corpo que precisamos para receber todos esses fluxos e transformarmos em uma obra ? Essa obra , o que seria essa obra: o outro ? eu ?

"...E então Zeus recolheu o coração do deus e o gestou até seu nascimento...destroçado por ordens de Hera,seu coração novamente foi salvo dessa vez colocado em uma poção que foi entregue a Perséfone em forma de uma romã e assim mais uma vez estava o vivo o deus Dioniso no mundo dos mortos se dirigindo a terra e passando pelo Olimpo..."
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Relato de guerra 3 #


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Venho através desse relato dizer sobre a dificuldade de se manter presente e de viajar pelo espaço e tempo.

Estou muito angustiado e cansado após movimentos e movimentos ininterruptos. Estamos em um momento mais brando na guerra, alguns se foram. Venho falar que nesse momento de desconstrução e construção de nossos corpos, após bombardeios e bombardeios de intensidades, estou mergulhando, estou mergulhando dentro de mim pra poder refletir sobre tudo que vivenciei, porém, esse mergulho não é igual aos outros, nele sou transportado para diversos lugares, diversas dimensões, tempos, espaços, realidades diferentes. Quando me refiro a dificuldade de estar presente é essa: preciso gerar energia, não posso abandonar o barco e meus descompanheiros, não posso abandonar a vida já que escolhi o caminho mais difícil porque a morte e o mais fácil.
É difícil ser infinito,onipresente, ser tudo e todos, estar em tudo e estar em todos

Encontrar quem já se foi e quem está, me encontrar em diversos tempos e vivenciar todas essas intensidades ininterruptamente.

E diante disso venho falar que tenho a potência de um deus e sou humano feito de carne osso e bosta mas também de ouro, vidro, terra, ar, fogo, água...

Leonardo Danilo
Quarta feira? 24?/03?/2010?
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Volta aos ensaios práticos!?/ fazer teatro!?


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por Herbert Henrique
escrito em 08/03/2010

Depois de três semanas voltamos para a “sala de ensaio”, NET\ Invenções cênicas. Há tempos que não íamos a Casa dos Meninos dois. A primeira sensação que tive foi de estranhamento, de diferente, depois de tempos em uma caminhada nômade física - o NET\ Leitura e produções de textos, na Biblioteca Cora Coralina, a reunião pedagógica, na casa do Paulo, NET\ Agenciamentos Teóricos, novamente na Cora Coralina, NET\ Cultura e ação cultural, na casa do Paulo, NET\ Imagem Tempo, na casa de Cultura Raul Seixas, NET\ Linguagem cinematográfica, na casa do Paulo, e NET\ Sei lá o que, novamente na Casa do Paulo. Nossa, quantos caminhos, quantos lugares. Nestes lugares passeávamos por outros, passeávamos na fala, passeávamos por nós, passeávamos pelo outro, o outro sou eu, eu sou o mousse, eu sou o Paulo, eu sou a Descompan(h)ia, o mousse sou eu, eu sou a mãe do Paulo, o Luiz é o Paulo, o Leo é o Lyotard, o Lyotard estava ali do lado falando com o Leo, mas o Lyotard não falou isso!? É o Leo que fala na voz do Lyotard. Não, que Lyotard, é o Leo com Deleuze, o Herbert e o Mousse que estão falando. Eu sou a Descompan(h)ia! O Herbert está falando Luiz, o Herbert nem está ali, quem está ali é o Craig, o Herbert está falando Craig e o Herbert não veio, não é o Herbert que está falando, é o Craig - narrado na voz de Jesus Cristo, pois 'só Jesus salva', 'devemos chegar lá', 'lá' é o paraíso, 'Craig é o paraíso' (Herbert\Jesus Cristo\capitalismo fala seguro sobre o paraíso)

A Descompan(h)ia Teatral vai à Casa do Paulo

(Está um dia ensolarado a Descompan(h)ia Teatral sai da Biblioteca Cora Coralina e está indo à casa do Paulo. Chega, toca a campainha, Paulo, o anfitrião, nos recebe).

Paulo o anfitrião: Olá Descompan(h)eiros entrem e fiquem à vontade. Tenho alguns quitutes se quiserem provar.

(Os Descompan(h)ieiros adentram a casa de Paulo, o anfitrião - uma casa bem familiar. Agora aqui eu sou a visita não na Cora Coralina onde eu era pesquisador mas na casa do Paulo onde a gente fez o mousse e eu era a visita quando eu e o Leo íamos embora da casa familiar do Paulo o anfitrião conversando sobre o mousse que era eu).
(Paulo, o anfitrião, e Vanessa, a simpática, preparam o mousse).

Descompan(h)ia: Anfitrião, prepara logo o mousse. Precisamos que o Paulo volte.

(Tomamos o anfitrião e a simpática de maracujá, seria mais gostoso se fosse o Paulo e a Vanessa).

Mas, novamente, estamos na sala de ensaio, o território do teatro. Estávamos fazendo teatro nessa caminhada nômade? A Descompan(h)ia Teatral não se propõe teatro. Estranho, essa era a palavra. Estamos no território do teatro, meu corpo estava diferente, era um outro lugar que eu passava, na verdade era o mesmo lugar que havia passado antes, mas agora o corpo era outro, a percepção era outra, agora me percebi Herbert e não Teatro, minha percepção ia além do teatro. O Luiz propôs que sentássemos em dupla e olhássemos um para o outro. Eu fui com o Brah e dessa vez, diferente de outras vezes que fiz esse exercício, era eu olhando para o Brah e não o teatro, nisso pude olhar de fato para ele, eu Herbert via o Brah e eu Herbert era o Brah, ao mesmo tempo passeava por ele e por mim já que eu sou o Brah. Compartilhei aquele momento com ele, tive uma experiência, um incômodo de não estar seguro nos limites do teatro, mas ao ir para o troço a experiência ficou chapada, não deu conta, fiquei preso, usei uma gaiola no troço, mas a gaiola acabou me aprisionando, tudo aquilo, aquela experiência, morreu na gaiola, da mesma forma que na minha fala sobre Craig morreu em Craig\Jesus Cristo\ Capitalismo\produção, por que Craig e a Gaiola eram os mesmos. O Luiz disse que no meu troço eu estava fazendo simbolismo e de fato estava. Se foi eu que tive a experiência e a percepção tanto em Craig quanto no troço, sendo que Craig é um troço, por que foi o simbolismo que fez meu troço, já está no meu corpo, já está em mim e quando vou para a “sala de ensaio” me coloco na sala de ensaio e fico preso ao teatro e a questão é como eu saio dos limites do Teatro\produção\ persona social\ etc e vou para mim? por que 'quem sou eu'? sou o teatro, sou a gaiola, sou Craig, sou o Brah, sou o mousse e quando faço teatro, eu faço eu e quando faço eu, eu sou tudo.
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Fragmentos dispersos e diversos


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por Luiz Claudio Cândido s/d
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CORPO EM CRISE


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Cada vez fica mais claro para mim que o ator da Descompan(h)ia Teatral tem um corpo em crise, um corpo sensível, um corpo poroso, permeável, que é afetado facilmente, que se deixa atravessar pelos desejos, pelos fluxos de intensidades e velocidades diferentes. Esse é o corpo que se procura: um corpo que grita, que jorra, que pulsa, um corpo extra-cotidiano, um corpo que afeta e seja afetado pela presença do Outro. É a carne que escreve a dramaturgia da cena, ou melhor, a tentativa do ator se descarnalizar. São os gestos do surdo e mudo que o André fazia no começo do processo pra falar aquilo que não é possível ser dito com palavras, as asignificâncias, o inominável, o indizível. É o corpo da Alice - na cena resposta 'a mulher com dor nas costas'. É o corpo do HHJ e do Fernando na cena da carne levando marteladas. São os momentos de choro do Karlos no ensaio do Álbum de Família ou na cena do Ovo/Sala de Aula. É o corpo das cenas raio-x ou Hell's cena da Allyne, da Alice, do Jobi, da Celina... É a cena dos olhos vendados do Gilmar. É esse o corpo que a Descompan(h)ia Teatral procura. E quais são os exercícios necessários para se alcançar isso? Como fazer pra sair da apatia do corpo morto e tornar a presença do outro realmente transformadora em mim?

(postado inicialmente na comunidade NET/Descompanhia Teatral em 08/07/2009, por Luiz Claudio Cândido)
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Troca de e-mails após mais um dos ataques da Descompan(h)ia, dessa vez em Diadema.


"Antes que a noite de sexta tomasse seu lugar no tempo, eu poderia esperar por qualquer coisa. Cenas, silêncio, ciranda, o que fosse.



Foi antes um dia habitual como qualquer outro. Dormir, comer, ler, lavar, mentir. Respeitando horas que, por sua vez, respeitavam as convencionadas unidades de tempo.

Sentados em circulo, calados, cada um esperava que o outro dissesse as primeiras palavras para iniciar aquilo que, até então, eunãosabiaoque.



Um relógio no chão e: "Viemos perceber o tempo. Só."

Aqui e agora. O único lugar e tempo passível.

Existe tempo mais efêmero que o Agora?

Outro lugar, senão aqui? (se é onde escolhemos estar)



Não é ator.

Representação é o que todos fazem.

Não é cena.

Troço qualquer que exteriorize um depoimento pessoal, uma Navalha na carne.

Não é teatro! É VIDA.

Assim sendo, pra quê aplausos?



A mecânica, o dicionário, a técnica de todos os dias privaram-me de uma completa experiência sensível com o troço. Mamão com açúcar para crianças ou adultos do EJA. Sim, eu os invejo.

Mas mesmo assim, depois de algum tempo já estava presa a um pensamento:

"Vivo. E só agora me lembrei que sou dotada de sentidos, estranho."

Voltei para casa diferente de como saí. Senti dor de cabeça, tomei um analgésico e dormi.



Mas antes que a noite de sexta tomasse seu lugar no tempo eu não esperei por nada, não tive ansiedade que criasse expectativas. Não dessa vez. E ainda bem, afinal.




Sou Aline, faço teatro em Diadema.

Só queria expressar o que foi pra mim a experiência com vocês "no palco".

Se puderem escrever alguma resposta, agradeço.



Abraços.




Resposta:

Para mim, o que há de singular nisso tudo é o contato: pleno, simples, direto.
Dentro do que há de mais efêmero (tempo) e do que há de mais precário (corpo).

A Descompan(h)ia Teatral era o que era com os lobos (como chamamos) que estavam lá: Luiz, Mari, Alice, Aline (você mesma), Fernando, Elvis... e mais alguns.
Lobos por causa da corrida solitária na aparente nebulosidade noturna.
Ferozes e sagazes.
Na tentativa de atacar a falta do sentir, o corpo mecânico.

Nenhum fato concreto, a não ser o de que estamos vivos e que morreremos um dia.

E agora?

Abraços Aline!

Carlos (ator?)
Descompan(h)ia Teatral
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O processo de criação dos atores e a Odisséia de Homero


"Relações entre o poema épico e o processo de investigação e pesquisa dos atores no Primeiro Troço “Navalha na Carne” pela Descompan(h)ia Teatral

por Carlos Alberto Moreno



1. O caminho do herói/ o caminho do ator

Uma grande aventura. Um caminho incerto e profundo. O herói Odisseu, ou Ulisses na sua forma clássica tradicional; e o objetivo, o ponto de partida, que é voltar para a sua terra natal, para a sua família. Mas o que faz de Odisséia uma obra clássica e de leitura obrigatória é o caminho, o processo que conduz o mortal Ulisses até a realização daquilo que em princípio parece simples como o ato de voltar para casa.
Esse é o ator: o nômade, o desnaturalizador. Aquele que está fora de casa, um aventureiro errante que vai pelos atalhos e desvios, contra a corrente, pesquisador do mundo e de si próprio.
Façamos antes algumas deliberações.
O que veio antes para Ulisses? A guerra. E o que há depois da guerra? A desesperança. Então qual a natureza existente num homem que acaba de voltar de uma guerra que durara dez anos?
Não se espera nada depois da destruição causada por uma guerra. Ainda mais se pensarmos no grandioso evento que foi a guerra de Tróia. Sendo assim, podemos enunciar o primeiro ato heróico de Ulisses como sendo a pura e simples resistência. Não contra algo externo a ele mesmo, pelo contrário, a resistência de Ulisses diante daquilo que há dentro dele na sua condição de ser humano, a sua própria fragilidade.
E o que faz de Ulisses um herói é justamente o fato de ele ter se mantido humano diante dos perigos e desvios e não ter caído na tentação nem de ser animal nem de ser deus.
A partir de alguns desses pontos podemos traçar um paralelo entre o caminho de Ulisses e o caminho dos atores no processo de investigação e pesquisa dentro da Descompan(h)ia Teatral, junto com seus percalços, desvios, descobertas e tudo mais que está contido nessa aventura.
Até porque foi escolhido o texto Navalha na Carne do dramaturgo Plínio Marcos pelo fato de vazar dele personagens e pessoas desesperançosas, que assim como nós da Descompan(h)ia também temos a sensação, cada um a seu modo, de uma navalha que perfura a própria carne.

É de suma importância frisar que o processo de criação desses atores/ investigadores se dá através do depoimento pessoal, parte-se das questões particulares se utilizando da ficção para tentar tocar o universal. A universalidade contida na experiência real.

Universal: Segundo a lógica do filósofo Aristóteles, o universal é uma forma única (uno) contida no múltiplo. Independentemente do seu conceito e da sua forma individual concreta, é aquilo que está no mundo, a essência das coisas.

A experiência real, por sua vez, só se caracteriza por experiência por que é algo sentido, algo realmente transformador e modificador. Não de forma clara e sistemática, mas num exercício constante dos atores e do encenador dentro da Descompan(h)ia que é observar o invisível entre as relações, e se observar junto, fundo, de verdade. Procedimento necessário para que o artista saiba utilizar o material humano que vaza das relações e o coloque em cena.

Desde que entrei nesse processo me vi mergulhado num amontoado de questões complexas e difíceis de ver, de tocar, de aceitar. Ao menos para mim.
Nas primeiras indicações que recebi fui aconselhado a observar tudo e todos, as relações visíveis e invisíveis e toda a sua complexidade (sem julgamentos morais), inclusive me observando como observador disso tudo. Todas as reações e sensações de quem está dentro e de quem está fora. Tudo ao mesmo tempo.
Mergulhado nesse violento mar do Poséidon e amparado pelos conselhos de Atena, assim como Ulisses vou pouco a pouco construindo o meu próprio processo.

Pesquisa realizada em Abril de 2009"
Por Unknown Leia Mais ►

"Fui a algumas entrevistas de emprego ontem e hoje e em todas acabei ouvido a mesma indicação dos selecionadores: " Vocês são um produto, devem estar bem apresentáveis!" A última que foi fogo, era um cara que vendia crédito consignado para idosos e ele me disse: "Sempre quando vejo um velhinho na rua eu vejo um cifrão!".
Isso não é novo pra mim e creio que para nenhum de vocês, a comparação que fazem do humano com um produto, um capital.
Mas devido ao processo e a algumas coisas que tenho lido, isso tem me feito pensar em como está a relação do homem contemporâneo com a sociedade, enquanto a estrutura e principalmente as pessoas estão degradando essa humanidade que existe no homem. Será que esse sistema realmente nos levará a utopia como disseram alguns filósofos?

Colocando algumas ideologias sobre o sistema capitalista. Para que alguém se mantenha acima no topo da cadeia alimentar do capital é necessário que outros estejam abaixo, sendo submissos e fazendo com que as pessoas do topo enriqueçam cada vez mais. É
como se tivesse um comum acordo entre o Proletariado e o Sr de Posses, pois de acordo com o sistema "você que esta aí embaixo pode chegar lá em cima e curtir os prazeres que o capital pode te dar, é só você se esforçar e trabalhar muito!", e isso torna a manutenção do sistema "auto-sustentável".
Marx evidencia uma parte do sistema capitalista e a denomina de mais valia. A mais valia de que Marx se refere é a seguinte: uma pessoa trabalha em troca de capital e tudo que ela produz é convertida no mesmo, sendo que essa mesma pessoa ao produzir todo esse esforço gerará uma certa quantidade de capital e parte desse capital será destinada a ela mesmo e outra parte ao contratante dela, essa diferença entre o valor que a pessoa recebe e o valor gerado é a tal da mais valia, o lucro que faz a manutenção do capitalismo.

Calma gente! Não estou colocando isso para que vocês virem mini Ches Guevaras e saiam por aí lutando ou em militância contra o capitalismo. Se quiserem não impeço,
mas não vamos levantar bandeiras.
O que acontece de fato como citei no início do texto é a interação do homem com a máquina capitalista que fica submisso à sua própria ideologia, sendo assim, eu digo que o homem está para a idéia ou a idéia para o homem, a máquina capitalista está dominando o homem.
O cara que fez Matrix foi genial nesse quesito, onde ele coloca a ideologia de Platão no mito da caverna e traz para os tempos modernos a idéia do mundo perfeito, do mundo inteligível.
A humanidade em dados momentos da história tem procurado essa perfeição no mundo. Várias instituições dando a sua contribuição em performatizar o mundo, a filosofia, a ciência, a religião, o teatro (nem a nossa classe escapa disso).
Mas uma das idéias que mais tem vigorado é que através da razão eu posso decifrar o mundo. E nada tão racional como o sistema capitalista atual, um sistema que nos coloca como produtos consumíveis, que faz com que neguemos nossos reais desejos, que domestica nossos sentimentos que são tão impalpáveis, “só sinta aquilo que te cause a mais valia para o capitalismo”, é muito foda isso e muito cruel!

E então chegamos aos nossos queridos personagens que ilustram uma realidade descrita pelo nosso ilustríssimo escritor Plínio Marcos, em que todos os personagens estão de fato sobre forte influência do capital, um símbolo que ele coloca em vários momentos da peça.
Neusa Sueli, prostituta, trabalha vendendo o seu corpo. E sem julgamentos morais sobre o fato percebe-se que mesmo assim ela demonstra não é o que ela sonhou para a vida dela, ela se vê em uma situação em que vender o seu corpo é a única forma possível de sobreviver, vendendo sua intimidade. E a forma que ela vê para conseguir o “amor” tão querido por ela é pagando o seu cafetão Vado, auto intitulado Vadinho das Candongas.

Eu vejo Vado alí não como um vilão, mas como mais uma vítima. Neusa Sueli na sua necessidade insana de amor acaba sufocando Vado, que não é nenhum coitado não, pois usufrui a sua posição se fazendo de machão explorando Neusa Sueli, constantemente aporrinhada por Vado, insinuando que só fica com ela por causa do dinheiro. Aparentemente Vado não demonstra nenhum tipo de afeto por Neusa, mas da a perceber que há algo de errado aí.

Veludo o personagem homossexual da história e que demonstra ser o mais agressivo dos três, confrontando até Vado, o machão que dá a entender que tem um desejo velado pelo próprio Veludo, mas se mantém na pose para não perder a sua posição social de macho dominante.
Veludo é realmente agressivo, me parece que por necessidade, e mantém uma relação com um garoto que trabalha no bar, onde só é consumada quando Veludo lhe dá dinheiro, parecendo até um espelho da relação mantida entre Neusa e Vado.

Plínio Marcos mostra aí em algumas páginas uma grande parcela das questões sociais e humanas em sua complexidade. São questões atuais por parte do capitalismo selvagem, onde ele coloca seres humanos quase bichos, e eternos pelas questões da complexidade humana. Plínio Marcos foi genial nesse sentido.

Ai meu deus! Puxei muito o saco do cara no final né?! Foi mau.
Aqui são só algumas reflexões parciais que tive ultimamente, mas ainda estão em construção... Não liga pra bagunça não.

Herbert Henrique
01 de Maio de 2009"
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Investigação.


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A investigação no processo dos atores da Descompan(h)ia Teatral é necessária porque é dela que surge o material humano.

E para tal é necessário nos atentar para algumas coisas:
Primeiro a observação, que é fria e seca. Só olhar.

Às vezes queremos olhar e analisar ao mesmo tempo e então limitamos o nosso campo de visão.
Depois de olhar para o outro, nos olhamos, pois quando eu observo o outro eu descubro outros mundos e vejo que existe mais de uma verdade, mais de uma possibilidade, não são só as minhas verdades, as minhas possibilidades.

Então qual é a verdade que prevalece?

Nenhuma, as duas são e não são.

No contato com a verdade do outro eu coloco a minha em dúvida. E a partir do encontro com o outro que eu vou me descobrir.
Só depois das descobertas dessa investigação é que vamos dar o nosso parecer, a nossa conclusão (se é que é possível concluir algo). E só aí é que podemos analisar tudo que foi dito e feito.
Temos que fazer esse processo de investigação para tentar compreender um pouco melhor o que é isso e aceitar como as coisas são e como não há um objetivo somente.

Vejo que os atores da Descompan(h)ia estão enxergando as coisas. Mas após isso eles querem chegar a algum lugar. Em que lugar eles querem chegar?
Estão vendo e aceitando as complexidades para depois unificá-las e transformá-las em pensamento linear? =/
Pra que?
Não existe um pensamento ou forma linear, é tudo junto. É a cena de três minutos do Fernando e Herbert (atores da Descompan(h)ia, que tiveram a missão de sintetizar numa cena de três minutos a sensação que tinham com a imagem poética das palavras Navalha na Carne, do texto homônimo de Plínio Marcos, mote inicial do nosso processo), onde tivemos a impressão de estar em um grande balde e com as coisas todas sendo misturadas lá dentro.


Termino dizendo que a investigação é importante para a aceitação da realidade como ela é para depois buscarmos formas de como lidar com isso.

Descobri que o ser humano é complexo. E agora? Como lidar com isso?
E não como fazer ele NÃO ser isso.

Continuemos nossa caminhada circular, cíclica. Não há pontos de partida ou de chegada.

Até a próxima.

Alice Nascimento

15 de Março de 2009

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