Sítio em demo_lições constantes.
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Relato de guerra 3 #


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Venho através desse relato dizer sobre a dificuldade de se manter presente e de viajar pelo espaço e tempo.

Estou muito angustiado e cansado após movimentos e movimentos ininterruptos. Estamos em um momento mais brando na guerra, alguns se foram. Venho falar que nesse momento de desconstrução e construção de nossos corpos, após bombardeios e bombardeios de intensidades, estou mergulhando, estou mergulhando dentro de mim pra poder refletir sobre tudo que vivenciei, porém, esse mergulho não é igual aos outros, nele sou transportado para diversos lugares, diversas dimensões, tempos, espaços, realidades diferentes. Quando me refiro a dificuldade de estar presente é essa: preciso gerar energia, não posso abandonar o barco e meus descompanheiros, não posso abandonar a vida já que escolhi o caminho mais difícil porque a morte e o mais fácil.
É difícil ser infinito,onipresente, ser tudo e todos, estar em tudo e estar em todos

Encontrar quem já se foi e quem está, me encontrar em diversos tempos e vivenciar todas essas intensidades ininterruptamente.

E diante disso venho falar que tenho a potência de um deus e sou humano feito de carne osso e bosta mas também de ouro, vidro, terra, ar, fogo, água...

Leonardo Danilo
Quarta feira? 24?/03?/2010?
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Volta aos ensaios práticos!?/ fazer teatro!?


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por Herbert Henrique
escrito em 08/03/2010

Depois de três semanas voltamos para a “sala de ensaio”, NET\ Invenções cênicas. Há tempos que não íamos a Casa dos Meninos dois. A primeira sensação que tive foi de estranhamento, de diferente, depois de tempos em uma caminhada nômade física - o NET\ Leitura e produções de textos, na Biblioteca Cora Coralina, a reunião pedagógica, na casa do Paulo, NET\ Agenciamentos Teóricos, novamente na Cora Coralina, NET\ Cultura e ação cultural, na casa do Paulo, NET\ Imagem Tempo, na casa de Cultura Raul Seixas, NET\ Linguagem cinematográfica, na casa do Paulo, e NET\ Sei lá o que, novamente na Casa do Paulo. Nossa, quantos caminhos, quantos lugares. Nestes lugares passeávamos por outros, passeávamos na fala, passeávamos por nós, passeávamos pelo outro, o outro sou eu, eu sou o mousse, eu sou o Paulo, eu sou a Descompan(h)ia, o mousse sou eu, eu sou a mãe do Paulo, o Luiz é o Paulo, o Leo é o Lyotard, o Lyotard estava ali do lado falando com o Leo, mas o Lyotard não falou isso!? É o Leo que fala na voz do Lyotard. Não, que Lyotard, é o Leo com Deleuze, o Herbert e o Mousse que estão falando. Eu sou a Descompan(h)ia! O Herbert está falando Luiz, o Herbert nem está ali, quem está ali é o Craig, o Herbert está falando Craig e o Herbert não veio, não é o Herbert que está falando, é o Craig - narrado na voz de Jesus Cristo, pois 'só Jesus salva', 'devemos chegar lá', 'lá' é o paraíso, 'Craig é o paraíso' (Herbert\Jesus Cristo\capitalismo fala seguro sobre o paraíso)

A Descompan(h)ia Teatral vai à Casa do Paulo

(Está um dia ensolarado a Descompan(h)ia Teatral sai da Biblioteca Cora Coralina e está indo à casa do Paulo. Chega, toca a campainha, Paulo, o anfitrião, nos recebe).

Paulo o anfitrião: Olá Descompan(h)eiros entrem e fiquem à vontade. Tenho alguns quitutes se quiserem provar.

(Os Descompan(h)ieiros adentram a casa de Paulo, o anfitrião - uma casa bem familiar. Agora aqui eu sou a visita não na Cora Coralina onde eu era pesquisador mas na casa do Paulo onde a gente fez o mousse e eu era a visita quando eu e o Leo íamos embora da casa familiar do Paulo o anfitrião conversando sobre o mousse que era eu).
(Paulo, o anfitrião, e Vanessa, a simpática, preparam o mousse).

Descompan(h)ia: Anfitrião, prepara logo o mousse. Precisamos que o Paulo volte.

(Tomamos o anfitrião e a simpática de maracujá, seria mais gostoso se fosse o Paulo e a Vanessa).

Mas, novamente, estamos na sala de ensaio, o território do teatro. Estávamos fazendo teatro nessa caminhada nômade? A Descompan(h)ia Teatral não se propõe teatro. Estranho, essa era a palavra. Estamos no território do teatro, meu corpo estava diferente, era um outro lugar que eu passava, na verdade era o mesmo lugar que havia passado antes, mas agora o corpo era outro, a percepção era outra, agora me percebi Herbert e não Teatro, minha percepção ia além do teatro. O Luiz propôs que sentássemos em dupla e olhássemos um para o outro. Eu fui com o Brah e dessa vez, diferente de outras vezes que fiz esse exercício, era eu olhando para o Brah e não o teatro, nisso pude olhar de fato para ele, eu Herbert via o Brah e eu Herbert era o Brah, ao mesmo tempo passeava por ele e por mim já que eu sou o Brah. Compartilhei aquele momento com ele, tive uma experiência, um incômodo de não estar seguro nos limites do teatro, mas ao ir para o troço a experiência ficou chapada, não deu conta, fiquei preso, usei uma gaiola no troço, mas a gaiola acabou me aprisionando, tudo aquilo, aquela experiência, morreu na gaiola, da mesma forma que na minha fala sobre Craig morreu em Craig\Jesus Cristo\ Capitalismo\produção, por que Craig e a Gaiola eram os mesmos. O Luiz disse que no meu troço eu estava fazendo simbolismo e de fato estava. Se foi eu que tive a experiência e a percepção tanto em Craig quanto no troço, sendo que Craig é um troço, por que foi o simbolismo que fez meu troço, já está no meu corpo, já está em mim e quando vou para a “sala de ensaio” me coloco na sala de ensaio e fico preso ao teatro e a questão é como eu saio dos limites do Teatro\produção\ persona social\ etc e vou para mim? por que 'quem sou eu'? sou o teatro, sou a gaiola, sou Craig, sou o Brah, sou o mousse e quando faço teatro, eu faço eu e quando faço eu, eu sou tudo.
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Palavras de consolo no instante do luto


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Aos mortos,

Tirando a fase de criança, acho que nunca chorei como atualmente.
Coisa boa aliás, por mais que pareça que não.
Água desabando pra lavar o que tem que limpar. Carne sendo fraca e escorrendo, como se faz necessário.
Sendo vítima do tempo, como sempre. Mas também tentando me relacionar com ele de forma que eu não sofra muito.
Daí que todo esse papo sobre tempo já me enche os olhos novamente.
Penso no que se passou e no que se passa, no corpo que ajudei a matar e nos seus ritos fúnebres. Nas flores, nas cruzes, nos trágicos. Em Beckett, nas pedradas, nas marteladas.
E venho de roupas claras, não por sinal de protesto ou de afronta. Mas porque li num livro da Clarice que uma personagem tinha o sonho de morrer de branco e segurando a mão de uma pessoa amada, e que esse era um dos seus únicos sonhos na vida.
Pois bem, esse corpo que ajudei a matar também se trata do meu próprio corpo. Matamos, acredito, por se tratar de objeto cansado e que precisava desencarnar. Sua carne já estava dolorida demais pelas navalhadas e o pobre coitado não aguentava o tranco da guerra.
E para ser veloz e intenso é preciso vida, e um corpo que aguente.
Se morre e se mata (aqui, ao menos) para gerar vida.
Estou aqui por isso. E por aquele que encontrei com 'E' maiúsculo e que acredito ser, para mim, a mão amada sugerida pela personagem da Clarice.
Se ainda desabo em água é porque meu corpo ainda chora necessitando de uma pequena morte todos os dias. Para celebrar o encontro de vida com vida, de história com história, de mim com o outro, de mim comigo mesmo.
Matar no fogo, com palavras, afogado nas lágrimas, à base das marteladas, como lobos ferozes.
E em memória dos que passaram, dos que estão e dos que virão depois de nós.
Aos meus olhos cheios, e aos que enchem meus olhos.
Amém!


Carlos Alberto Moreno
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I Tentativa de Ressurreição da Descompan(h)ia Teatral: Ressuscitai, Descompan(h)ia Teatral!!!!


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Atendendo ao chamado do deus Dioniso Zagreu, que nos apareceu em sonhos proféticos, conclamamos a todos para participar de seus mistérios e realizar a I Tentativa de ressurreição daquela que morreu e lhe foi retirado os órgãos  

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Luto Fechado pela Morte da Descompan(h)ia Teatral


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Olá, a tod@s!

Infelizmente, no dia 12/01/10, às 17h30, a Descompan(h)ia Teatral veio a falecer. É com enorme pesar que convidamos a todos para o velório e enterro da mesma q ocorrerá nesta sexta-feira, 15/01, a partir das 19h00, na Casa dos meninos II. A presença de vocês, neste último adeus, acalantaria nossos corações e nos ajudaria a ter a força necessária para amenizarmos a dor dilacerante q sentimos neste momento difícil.

P.s: Em virtude de processo acelerado de putrefação e do intenso fedor ocasionado por tal fenômeno o enterro deverá ocorrer no mais tardar às 21h00 do mesmo dia em que o corpo está sendo velado.


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Alguns cartazes e panfletos


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Descompan(h)ia Teatral/Troço#n.1/Navalha na carne


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Algumas imagens de um dos troços.





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O ASPECTO FIGURAL DA DESCOMPAN(H)IA TEATRAL NA MOSTRA VAI/2009.


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MOSTRA VAI 2009


"A DESCOMPAN(H)IA TEATRAL TEM O PRAZER DE CONVIDAR A TODOS PARA MAIS UMA DE SUAS APARIÇÕES PÚBLICAS (POSSÍVEL ATAQUE). E QUE A LAMA SEQUE NO SOL QUENTE!!!!


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