Sítio em demo_lições constantes.
Escrito por Descompanhia Teatral
Fui a algumas entrevistas de emprego ontem e hoje e em todas acabei ouvido a mesma indicação dos selecionadores: " Vocês são um produto, devem estar bem apresentáveis!" A última que foi fogo, era um cara que vendia crédito consignado para idosos e ele me disse: "Sempre quando vejo um velhinho na rua eu vejo um cifrão!".
Isso não é novo pra mim e creio que para nenhum de vocês, a comparação que fazem do humano com um produto, um capital.
Mas devido ao processo e a algumas coisas que tenho lido, isso tem me feito pensar em como está a relação do homem contemporâneo com a sociedade, enquanto a estrutura e principalmente as pessoas estão degradando essa humanidade que existe no homem. Será que esse sistema realmente nos levará a utopia como disseram alguns filósofos?

Colocando algumas ideologias sobre o sistema capitalista. Para que alguém se mantenha acima no topo da cadeia alimentar do capital é necessário que outros estejam abaixo, sendo submissos e fazendo com que as pessoas do topo enriqueçam cada vez mais. É
como se tivesse um comum acordo entre o Proletariado e o Sr de Posses, pois de acordo com o sistema "você que esta aí embaixo pode chegar lá em cima e curtir os prazeres que o capital pode te dar, é só você se esforçar e trabalhar muito!", e isso torna a manutenção do sistema "auto-sustentável".
Marx evidencia uma parte do sistema capitalista e a denomina de mais valia. A mais valia de que Marx se refere é a seguinte: uma pessoa trabalha em troca de capital e tudo que ela produz é convertida no mesmo, sendo que essa mesma pessoa ao produzir todo esse esforço gerará uma certa quantidade de capital e parte desse capital será destinada a ela mesmo e outra parte ao contratante dela, essa diferença entre o valor que a pessoa recebe e o valor gerado é a tal da mais valia, o lucro que faz a manutenção do capitalismo.

Calma gente! Não estou colocando isso para que vocês virem mini Ches Guevaras e saiam por aí lutando ou em militância contra o capitalismo. Se quiserem não impeço,
mas não vamos levantar bandeiras.
O que acontece de fato como citei no início do texto é a interação do homem com a máquina capitalista que fica submisso à sua própria ideologia, sendo assim, eu digo que o homem está para a idéia ou a idéia para o homem, a máquina capitalista está dominando o homem.
O cara que fez Matrix foi genial nesse quesito, onde ele coloca a ideologia de Platão no mito da caverna e traz para os tempos modernos a idéia do mundo perfeito, do mundo inteligível.
A humanidade em dados momentos da história tem procurado essa perfeição no mundo. Várias instituições dando a sua contribuição em performatizar o mundo, a filosofia, a ciência, a religião, o teatro (nem a nossa classe escapa disso).
Mas uma das idéias que mais tem vigorado é que através da razão eu posso decifrar o mundo. E nada tão racional como o sistema capitalista atual, um sistema que nos coloca como produtos consumíveis, que faz com que neguemos nossos reais desejos, que domestica nossos sentimentos que são tão impalpáveis, “só sinta aquilo que te cause a mais valia para o capitalismo”, é muito foda isso e muito cruel!

E então chegamos aos nossos queridos personagens que ilustram uma realidade descrita pelo nosso ilustríssimo escritor Plínio Marcos, em que todos os personagens estão de fato sobre forte influência do capital, um símbolo que ele coloca em vários momentos da peça.
Neusa Sueli, prostituta, trabalha vendendo o seu corpo. E sem julgamentos morais sobre o fato percebe-se que mesmo assim ela demonstra não é o que ela sonhou para a vida dela, ela se vê em uma situação em que vender o seu corpo é a única forma possível de sobreviver, vendendo sua intimidade. E a forma que ela vê para conseguir o “amor” tão querido por ela é pagando o seu cafetão Vado, auto intitulado Vadinho das Candongas.

Eu vejo Vado alí não como um vilão, mas como mais uma vítima. Neusa Sueli na sua necessidade insana de amor acaba sufocando Vado, que não é nenhum coitado não, pois usufrui a sua posição se fazendo de machão explorando Neusa Sueli, constantemente aporrinhada por Vado, insinuando que só fica com ela por causa do dinheiro. Aparentemente Vado não demonstra nenhum tipo de afeto por Neusa, mas da a perceber que há algo de errado aí.

Veludo o personagem homossexual da história e que demonstra ser o mais agressivo dos três, confrontando até Vado, o machão que dá a entender que tem um desejo velado pelo próprio Veludo, mas se mantém na pose para não perder a sua posição social de macho dominante.
Veludo é realmente agressivo, me parece que por necessidade, e mantém uma relação com um garoto que trabalha no bar, onde só é consumada quando Veludo lhe dá dinheiro, parecendo até um espelho da relação mantida entre Neusa e Vado.

Plínio Marcos mostra aí em algumas páginas uma grande parcela das questões sociais e humanas em sua complexidade. São questões atuais por parte do capitalismo selvagem, onde ele coloca seres humanos quase bichos, e eternos pelas questões da complexidade humana. Plínio Marcos foi genial nesse sentido.

Ai meu deus! Puxei muito o saco do cara no final né?! Foi mau.
Aqui são só algumas reflexões parciais que tive ultimamente, mas ainda estão em construção... Não liga pra bagunça não.

Herbert Henrique
01 de Maio de 2009
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